15/10/2026 – 5 minutos – Inovação

TRL: o que é e por que a maturidade tecnológica importa

Julio Sampaio

Managing partner

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TRL: o que é e por que a maturidade tecnológica importa

O que é inovação?

A palavra inovação vem do latim innovatio (ou innovationis), derivada do verbo innovare. A estrutura da palavra carrega um significado literal muito claro sobre o ato de transformar:
• Prefixo IN-: significa “movimento para dentro”, “introduzir” ou “inserir”.
• Raiz NOVARE (derivada de NOVUS): significa “tornar novo”, “renovar”.
 
Inovar é o ato de fazer algo de forma nova, diferente. A inovação não precisa ser impactante ou disruptiva: podemos inovar com ideias simples e incrementais ou com definições completamente novas, que exigem altos investimentos. Ela pode estar em um produto ou em um processo.
 
Uma empresa inovadora se adapta com mais facilidade às mudanças de mercado, de tecnologia e de comportamento da sociedade. É importante frisar que não basta ter uma ideia: ela precisa ser colocada em prática. Não há inovação sem ação.

Histórico do TRL

Se você trabalha com projetos de PD&I, certamente já ouviu alguém falar em TRL. Mas o que o termo significa? Ele vem do inglês Technology Readiness Level, em português, Nível de Maturidade Tecnológica.
 
Nos idos da década de 70, a NASA (National Aeronautics and Space Administration) estava preocupada com o uso de tecnologias novas em seus programas espaciais, notadamente o programa Apollo, que levou o homem a pisar na superfície lunar. É fácil imaginar que qualquer falha em veículos, cápsulas ou instrumentos poderia significar a perda de vidas.
 
Com isso em mente, o pesquisador americano Stan Sadin definiu sete níveis que uma tecnologia deveria seguir para ser considerada “madura”, ou seja, para que os riscos de sua utilização fossem pequenos o bastante para permitir seu uso.
 
Somente nas décadas de 80 e 90 a metodologia foi oficializada pela NASA, que a incluiu em seus manuais de desenvolvimento de sistemas. Foi nesse período que mais dois níveis foram adicionados, indo do TRL 1, com os princípios científicos básicos, até o TRL 9, com o sistema testado e comprovado em operações reais no espaço.
 
Na década de 2000, o governo americano expandiu a ferramenta para aplicações militares, seguido pela Agência Espacial Europeia (ESA). Nos anos 2010, a Comissão Europeia recomendou a escala para projetos de pesquisa e desenvolvimento industrial.
 
Com a ampla utilização, veio a padronização internacional em 2013, que gerou a norma ISO 16290. No Brasil, a ABNT publicou a ABNT NBR 16290 em 2015, e desde então ela é amplamente utilizada pelas agências governamentais de fomento à inovação.

Os nove níveis definidos pela ferramenta

Ganhos com a utilização da ferramenta

Como vimos, a escala TRL permite identificar o nível de maturidade de uma tecnologia e serve de referência para a administração decidir se vai ou não utilizá-la.
 
Não há uma relação direta entre o nível TRL e a ocorrência de falhas. O que o TRL representa é o grau de desconhecimento e a gravidade do impacto que uma falha oculta terá no projeto.

Resumo da dinâmica de risco

Vale notar que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) adotou a escala TRL para guiar a compra e o desenvolvimento de tecnologias de armas e sistemas militares, ganhando também mais segurança para investir em produtos robustos.
 
Ferramentas que ajudam a direcionar investimentos públicos ou privados têm grande relevância, principalmente quando se trata de inovação, pois nem sempre o novo é fácil de compreender.

O caminho da maturidade

Uma das estratégias de produto é o chamado Price Skimming (desnatação de preço ou de mercado), em que as empresas praticam preços mais altos na fase inicial da vida de um produto.
• Preço premium no lançamento: o produto entra no mercado com um preço intencionalmente elevado.
• Foco nos “inovadores”: a empresa captura a fatia de consumidores que não se importa de pagar caro para ter a novidade primeiro, como acontece nos lançamentos de iPhones ou de consoles de videogame.
• Altas margens iniciais: isso gera alta lucratividade imediata e permite recuperar rapidamente os custos de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
• Redução gradual: conforme a novidade perde força e a concorrência chega, a empresa reduz o preço “camada por camada” para alcançar o público geral.
 
As empresas só desejam atuar nessa fase da vida do produto quando a maturidade dele indica um nível mais elevado, pois não querem associar o nome da empresa ou do produto à baixa qualidade, ao preço alto e à baixa relação custo-benefício.
 
A escala de maturidade também deve ser usada para traçar a estratégia do produto. Nessa análise, é preciso identificar com certeza o nível atual, o nível desejado e o prazo disponível. A partir daí, a empresa define as ações que contribuem para essa evolução.
 
A cada projeto realizado e a cada procedimento criado ou ajustado, o produto evolui de um nível para outro, como resposta aos investimentos e às ações realizadas.

Assista também: https://www.instagram.com/reel/DeecBvRRz3m/?xtok=NmpnNWZuZXZveHgw

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