14/08/2026 – 6 minutos – Estratégia

Era da IA 80/20: por que a estratégia ganha ainda mais importância

Paula Sampaio

Founder & CEO

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Era da IA 80/20: por que a estratégia ganha ainda mais importância

Na nossa página do Instagram, postamos sobre como a inteligência artificial está mudando a forma como as empresas distribuem tempo e esforço. Atividades que antes consumiam grande parte da rotina, como redigir documentos, organizar informações, analisar dados, preparar apresentações e executar tarefas operacionais, podem ser realizadas em menos tempo com o apoio da tecnologia.
 
Essa mudança cria uma nova dinâmica para as empresas, já que à medida que a IA assume uma parcela maior da execução, aumenta o espaço para atividades que dependem de análise, priorização, tomada de decisão e direcionamento estratégico.
 
É essa inversão que está por trás da chamada lógica 80/20 da era da IA: menos tempo dedicado à mecânica do trabalho e mais tempo dedicado a definir o que precisa ser feito, por que precisa ser feito e qual resultado a empresa espera alcançar.

Da execução para a estratégia

Empresas que inovam sem visão sistêmica costumam resolver um problema e criar três outros, otimizando uma etapa do processo sem considerar o impacto nas etapas seguintes ou lançando um produto sem mapear como ele se encaixa no ecossistema de fornecedores, canais e clientes.
 
Visão sistêmica aplicada à inovação significa entender como cada mudança afeta o conjunto antes de implementá-la, o que inclui processos internos, relacionamentos com parceiros e fornecedores, experiência do cliente e o posicionamento competitivo da empresa no mercado. Sem essa perspectiva, a inovação se torna fragmentada e gera custo operacional sem gerar vantagem competitiva.

Cadeia de valor

Durante muito tempo, profissionais precisavam dedicar horas para pesquisar informações, consolidar dados, elaborar documentos, estruturar relatórios e realizar tarefas que, embora necessárias, nem sempre exigiam alto grau de decisão.
 
A IA reduz o tempo necessário para muitas dessas atividades.
 
Um relatório pode ser estruturado em minutos, dados podem ser organizados e analisados com mais velocidade, processos que dependiam de várias etapas manuais podem ser parcialmente automatizados.
 
Com isso, o ganho mais relevante não está apenas na produtividade de cada tarefa, mas está na possibilidade de deslocar o tempo das equipes para atividades de maior impacto para o negócio.
 
Esse deslocamento aumenta a importância de planejamento, definição de prioridades, análise de cenários e tomada de decisão.

A IA acelera aquilo que já existe

E como toda ferramenta, a capacidade de execução da IA também traz um novo risco para as empresas: acelerar uma decisão ruim.
 
Ferramentas de inteligência artificial respondem aos objetivos, informações e comandos que recebem. Elas podem ajudar a comparar alternativas, identificar padrões, produzir análises e executar atividades em escala, mas a definição do problema e do resultado esperado continua dependendo da equipe.
 
Se uma empresa não sabe qual problema pretende resolver, qualquer ganho de velocidade pode ser pouco relevante. Se as prioridades estão mal definidas, a automação pode aumentar o volume de trabalho sem melhorar o resultado.
 
Por isso, implementar IA exige mais do que escolher ferramentas. É necessário entender onde a tecnologia pode gerar impacto, quais processos devem ser modificados e quais decisões precisam continuar sob responsabilidade das pessoas.

O novo papel da gestão

A mudança provocada pela IA também altera o papel de gestores e equipes.
 
Quando a execução ocupa menos tempo, aumenta a responsabilidade sobre as decisões que orientam essa execução. Definir prioridades, estabelecer metas, avaliar riscos e acompanhar indicadores passam a ter um peso ainda maior na rotina empresarial.
 
Isso exige uma estrutura de gestão capaz de transformar objetivos estratégicos em ações concretas.
 
Uma empresa que pretende usar IA para aumentar produtividade precisa saber, por exemplo, quais processos são prioritários, quais indicadores devem ser acompanhados, quais atividades podem ser automatizadas e quais resultados justificam o investimento em tecnologia.
 
Sem essas definições, a adoção da IA tende a acontecer de maneira fragmentada, com diferentes equipes utilizando ferramentas de formas distintas e sem uma conexão clara com os objetivos do negócio.

Os 80% que passam a importar mais

A lógica 80/20 da IA pode ser entendida como uma mudança na distribuição do esforço.
 
Se antes uma pessoa precisava dedicar grande parte do tempo à execução para produzir um determinado resultado, agora parte dessa execução pode ser transferida para sistemas de IA. O tempo liberado pode ser utilizado para atividades que exigem contexto, julgamento e visão de negócio.
 
Isso muda a composição do trabalho porque a definição de prioridades passa a ter mais importância. A capacidade de formular problemas ganha valor, a análise crítica das informações produzidas pela IA se torna necessária e a conexão entre diferentes áreas da empresa passa a ser ainda mais relevante.
 
Nesse cenário, profissionais e empresas que conseguem transformar tempo economizado em decisões melhores tendem a capturar mais valor da tecnologia.

Estrutura para transformar IA em resultado

Antes de implementar uma nova ferramenta, é importante identificar onde existe um problema ou uma oportunidade. A partir disso, a empresa consegue avaliar quais processos podem ser automatizados, quais recursos serão necessários e como o resultado será medido.
 
Essa abordagem também ajuda a evitar investimentos desconectados da estratégia. Uma empresa pode utilizar IA para reduzir o tempo de elaboração de propostas, por exemplo. O ganho será relevante se essa redução permitir que a equipe dedique mais tempo à análise de oportunidades, relacionamento com clientes ou desenvolvimento de novas soluções.
 
Da mesma forma, uma empresa pode utilizar IA para analisar dados com mais velocidade. O impacto dependerá da capacidade de transformar essa análise em decisões que melhorem operações, reduzam custos ou criem novas oportunidades.
 
Então, a tecnologia gera capacidade e a gestão define onde essa capacidade será aplicada.

O que muda na competitividade

A diferença entre empresas que adotam IA tende a aparecer menos no acesso às ferramentas e mais na capacidade de incorporá-las à forma como o negócio funciona.
 
As ferramentas estão cada vez mais acessíveis e isso reduz a vantagem competitiva gerada simplesmente por utilizar determinada tecnologia. Portanto, o diferencial passa a estar na qualidade dos processos, na clareza das prioridades e na capacidade de tomar decisões melhores com os recursos disponíveis.
 
Nesse contexto, a IA pode ampliar a capacidade de uma empresa executar sua estratégia. Mas, para isso, a estratégia precisa estar suficientemente clara para orientar essa capacidade.
 
A empresa que utiliza IA para produzir mais tarefas pode ganhar produtividade e a empresa que utiliza IA para liberar tempo e melhorar decisões pode transformar essa produtividade em vantagem competitiva.
 
A Concellera apoia empresas na estruturação de estratégias, projetos e processos de gestão para transformar objetivos em execução e resultados.
 
Se sua empresa quer estruturar melhor sua estratégia para aproveitar essa mudança, agende uma reunião.

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