Perder um edital de financiamento por falta de elegibilidade técnica é frustrante, mas compreensível. Mas perder por falta de gestão é diferente, porque é evitável.
Empresas que têm projetos de inovação legítimos, equipe capaz e potencial real de aprovação chegam ao processo sem a estrutura necessária para transformar uma boa ideia em uma proposta competitiva e depois, mesmo quando aprovadas, enfrentam dificuldades sérias na execução e prestação de contas.
Editais como os da EMBRAPII e da FINEP exigem que o projeto seja descrito com nível de detalhe que vai muito além de uma apresentação comercial. Escopo, cronograma, orçamento item a item, equipe técnica com formação compatível. Cada um desses elementos precisa estar estruturado antes de qualquer submissão.
O que costuma acontecer nas empresas sem gestão de projetos estruturada é que essas informações existem de forma dispersa (parte na cabeça do fundador, conversas de WhatsApp, planilhas desatualizadas). Transformar esse material em uma proposta coerente, consistente e competitiva exige um processo que a empresa ainda não tem.
Programas como a FINEP avaliam os projetos submetidos em dois eixos: grau de inovação e relevância da inovação para o setor econômico, considerando critérios como abrangência da inovação, grau de incerteza tecnológica, qualificação da equipe e trajetória de inovação da empresa. Portanto, não basta ter uma boa ideia: é preciso conseguir demonstrá-la com evidência dentro dos critérios do programa.
Empresas sem prática de gestão de projetos raramente têm registro formal das decisões técnicas tomadas ao longo do desenvolvimento do produto ou processo. E são esses registros que documentam a trajetória de inovação da empresa, são exatamente o que fortalece uma proposta e diferencia um projeto aprovado de um reprovado.